Hoje, poderia ter feito planos,
contado estórias,
contado os dias
que arquitetam anos.
Poderia ter feito charme
ou me escurecido
em um depressivo verso branco.
Poderia ter mastigado calmante,
folheado minha estante,
mas hoje só fiz um banco.
Sim, um banco destes de se sentar,
um banco destes de antigamente,
feio,
que nem cabe no lirismo dos meus versos.
Hoje, poderia ter feito
qualquer outra coisa,
mas fiz um banco.
Amanhã, quem sabe faça um jardim.
Apetrecho fútil
parido de mim
que não me encontro.
E interessante,
que nem mesmo preciso
de um banco.
Nem mesmo preciso-me.
Do livro PAISAGENS DO OLHAR - página 58
sábado, 10 de fevereiro de 2007
O CRACK
A rua está fria
e não há poesia no ar
que envolve o mascarar
destes sorrisos.
A esperança
a ser pavimentada,
em abandono
clama pela Providência.
Há que se ter prudência
na abordagem do olhar.
Há um crime no clima
que envolve este clamar.
Alguém pode sacar a arma da palavra
e a depressão do coletivo
pode abalar a bolsa
dos nossos valores.
A rua está fria
e o sonho, mal agasalhado,
é só mais um pedinte
desabrigado de ilusão,
que pulsa por acinte
flagelado no coração.
Do livro PAISAGENS DO OLHAR - página 64
e não há poesia no ar
que envolve o mascarar
destes sorrisos.
A esperança
a ser pavimentada,
em abandono
clama pela Providência.
Há que se ter prudência
na abordagem do olhar.
Há um crime no clima
que envolve este clamar.
Alguém pode sacar a arma da palavra
e a depressão do coletivo
pode abalar a bolsa
dos nossos valores.
A rua está fria
e o sonho, mal agasalhado,
é só mais um pedinte
desabrigado de ilusão,
que pulsa por acinte
flagelado no coração.
Do livro PAISAGENS DO OLHAR - página 64
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