sábado, 3 de julho de 2010

SONETO DA ETERNIDADE

SONETO DA ETERNIDADE

Eu quero a vida inteira à minha frente
que pode ser apenas um segundo
vivendo uma paixão intensamente
indiferente às razões do mundo.

Porque viver é sempre um caso urgente
se desabrocha um amor profundo
que avassala e embriaga a mente
mesmo que a dor se instale lá no fundo.

Que a vida inteira pra fazer sentido
numa alquimia de imortalidade
não pode ter nenhum sonho contido,

pois quando o amor é pleno de verdade
um só instante dele bem vivido
faz do momento a própria eternidade.

Paulo Franco

Poema do livro A QUARTA PAREDE
Página 58 - Editora multifoco - R$20,00
Pedidos: http://www.euautor.com.br/mailto:poetapaulofranco@terra.com.br

SONETO DA ETERNIDADE

SONETO DA ETERNIDADE

Eu quero a vida inteira à minha frente
que pode ser apenas um segundo
vivendo uma paixão intensamente
indiferente às razões do mundo.

Porque viver é sempre um caso urgente
se desabrocha um amor profundo
que avassala e embriaga a mente
mesmo que a dor se instale lá no fundo.

Que a vida inteira pra fazer sentido
numa alquimia de imortalidade
não pode ter nenhum sonho contido,

pois quando o amor é pleno de verdade
um só instante dele bem vivido
faz do momento a própria eternidade.

Paulo Franco

Poema do livro A QUARTA PAREDE
Página 58 - Editora multifoco - R$20,00
Pedidos: http://www.euautor.com.br/mailto:poetapaulofranco@terra.com.br

domingo, 23 de maio de 2010

AS ESTAÇÕES

AS ESTAÇÕES

Olho pras ranhuras no céu das madrugadas de setembro
e me pergunto quando chegará a primavera.
Nos meus sentimentos
algumas flores que não têm vingado
e então culpo as estações
por esta falta de cor no que avisto das coisas.

A alma fria do inverno
aguarda um tempo mais ameno.
Quem sabe as tempestades que virão
farão de mim algum verão qualquer.

O dia a pino faz da noite esquecimento.
A escuridão é uma hipótese
no espírito ao meio dividido
pelas sombras de um sol insuficiente
para aquecer-nos por inteiro.

Há um claro no outro lado do escuro
assim como é certeza
que sementes dormem pelas estações
na espera
de vingarem exclusivamente na primavera.

Uma rebelião de cores e cheiros
que invadem os jardins
e tocam os homens que dormem
no desconhecido das sensações.

Paulo Franco
Do livro A QUARTA PAREDE – página 24
R$20,00 + R$2,00 de frete
poetapaulofranco@terra.com.br

sábado, 13 de setembro de 2008

SONETO DO AMOR IMPERFEITO

I CONCURSO NACIONAL DE POESIA DE CORDEIRO - RIO DE JANEIRO
TROFÉU CECÍLIA MEIRELES
3º LUGAR: SONETO DO AMOR IMPERFEITO
AUTOR: PAULO FRANCO
LOCAL: RIBEIRÃO PIRES-SP

SONETO DO AMOR IMPERFEITO

Não quero mais buscar o amor perfeito
pra camuflar o sentimento em chama
e amortecer o que me dói no peito,
a mesma dor de todo ser que ama.

Que amar assim, eu sei, não é direito,
pois todo peito preso nesta trama
adoecido faz do olhar um leito
pra adormecer a fonte deste drama.

Vou procurar amar só o instante
um amor maior, porém um passageiro
tão transeunte quanto o amante

que tenha amores pelo mundo inteiro
e ao invés da dor o peito sempre cante
o imperfeito amor que é o verdadeiro.

Paulo Franco

domingo, 11 de maio de 2008

OLHARES

Olhamos de lado
e nos olha o outro,
mudo, num mundo surdo,
a nos espreitar
como se um espelho fosse
a representar, talvez,
uma outra parte do que somos.

E profundamente
vasculhamos o outro lado do outro,
a nos procurar,
e olhares outros repartimos na escuridão
pra clarear a multiplicidade de sentidos
no que olhamos.

Olhares que são grãos de areia
no infinito da procura.
Mar de buscas nestes prantos.
Acalantos pro sonhar
que no horizonte perde-se entre encantos
sem ter cura.

E para nos encontrar do outro lado
do que imaginamos que vemos neste vai e vem,
olhamos desesperançados do outro lado da rua
como o prisioneiro que transcende
para a liberdade que não tem.

E do outro lado o outro nos olha de lado,
disfarçando o sentimento como lhe convém,
procurando nos olhares que se perdem
o mesmo intrigante achado
que o outro procura também.

sábado, 10 de fevereiro de 2007

O BANCO

Hoje, poderia ter feito planos,
contado estórias,
contado os dias
que arquitetam anos.

Poderia ter feito charme
ou me escurecido
em um depressivo verso branco.

Poderia ter mastigado calmante,
folheado minha estante,
mas hoje só fiz um banco.

Sim, um banco destes de se sentar,
um banco destes de antigamente,
feio,
que nem cabe no lirismo dos meus versos.

Hoje, poderia ter feito
qualquer outra coisa,
mas fiz um banco.
Amanhã, quem sabe faça um jardim.

Apetrecho fútil
parido de mim
que não me encontro.

E interessante,
que nem mesmo preciso
de um banco.

Nem mesmo preciso-me.

Do livro PAISAGENS DO OLHAR - página 58

O CRACK

A rua está fria
e não há poesia no ar
que envolve o mascarar
destes sorrisos.

A esperança
a ser pavimentada,
em abandono
clama pela Providência.

Há que se ter prudência
na abordagem do olhar.
Há um crime no clima
que envolve este clamar.

Alguém pode sacar a arma da palavra
e a depressão do coletivo
pode abalar a bolsa
dos nossos valores.

A rua está fria
e o sonho, mal agasalhado,
é só mais um pedinte
desabrigado de ilusão,
que pulsa por acinte
flagelado no coração.

Do livro PAISAGENS DO OLHAR - página 64